sexta-feira, 20 de agosto de 2010


I Colóquio sobre História do Teatro no Piemonte Norte do Itapicuru
O Centenário de José Carvalho (1910-2010)

A História do Teatro no semi-árido da Bahia é o tema principal do I Colóquio sobre História do Teatro no Piemonte Norte do Itapicuru, que será realizado entre os dias 04 e 07 de setembro no município do Senhor do Bonfim, distante 376 km da capital. O evento debaterá as práticas teatrais na região, durante todo o século XX, envolvendo os nove municípios que compõem o Território de Identidade 25 (Senhor do Bonfim, Jaguarari, Andorinha, Filadélfia, Ponto Novo, Caldeirão Grande, Pindobaçu, Antônio Gonçalves e Campo Formoso). Além disso, o evento homenageará o Centenário (1910-2010) do diretor e dramaturgo bonfinense José Carvalho, um dos precursores do teatro na região.
Na abertura do Colóquio o grupo de teatro Aroeira Cênica (Senhor do Bonfim) irá apresentar a remontagem do espetáculo Condenado Inocente, uma das peças do homenageado, montada nos anos 50 e 60. Outros grupos teatrais também farão parte da programação no decorrer do evento, é o exemplo da premiada companhia Finos Trapos (Vitória da Conquista/Salvador). Além de mesas redondas sobre a história do teatro, haverá homenagem a antigos artistas de teatro, lançamento de cordel,  exposições, alvorada e outras atividades no Centro Cultural Ceciliano de Carvalho e no Centro Educacional Sagrado Coração.  “As atuais pesquisas sobre teatro no Brasil e no mundo mostram a grande necessidade do registro da história dessa arte milenar em diferentes contextos culturais. Posteriormente iremos lançar um livro com o registro de todo o encontro”, destacou Reginaldo Carvalho, um dos coordenadores do evento.
A realização do Colóquio conta com o patrocínio de Microprojetos, do Programa Mais Cultura (Ministério da Cultura - MinC). Além da parceria da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Banco do Nordeste (BNB), Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) e apoiadores locais. A organização ficou por conta da ganhadora do edital Microprojetos, Alexandrina Carvalho, do Grupo Teatral CANOART, além da coordenação dos professores Reginaldo Carvalho e Ângela Reis. Os organizadores buscaram a parceria do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, através do Grupo de Pesquisa Tradição e Contemporaneidade no Teatro Brasileiro e do curso de História da Faculdade Cenecista de Senhor do Bonfim.
Centenário - José de Souza Carvalho, ou Zé da Almerinda, como era chamado por muitos devido ao nome da sua mãe, nasceu em Senhor do Bonfim-BA em 1910 e faleceu na mesma cidade em 1974. Entre os dados biográficos de José Carvalho destacam-se: a temporada de seis meses no Circo Merediva; a localização da sua residência próxima a um terreno onde companhias circenses se instalavam; e a função de estafeta na Viação Férrea Leste Brasileiro - aonde chegavam muitas companhias circenses - como fatores preponderantes para a constituição da sua identidade artística. Essas experiências pessoais e estéticas culminaram com a criação  de um Quintal-Teatro, lugar em que as peças deste artista eram ensaiadas e apresentadas antes da sua transferência para os auditórios do Instituto de Assistência à Infância, Salão Paroquial, e Ginásio Sagrado Coração, Marista. O resultado foi a criação de um teatro popular fruído por moradores de Senhor do Bonfim e de outras cidades do Piemonte Norte do Itapicuru, onde as suas peças foram apresentadas. José Carvalho tem sido considerando entre os pesquisadores brasileiros do circo-teatro como um importante representante da teatralidade circense no semi-árido da Bahia em meados do século XX. Entre outras peças, escreveu e montou: Suplício materno, Filho do mar, Família maldita e Condenado inocente.

SERVIÇO:
O quê: I Colóquio sobre História do Teatro no Piemonte Norte do Itapicuru
Quando: 04 a 07 de Setembro (manhã, tarde e noite)
Onde: (Senhor do Bonfim, Jaguarari, Andorinha, Filadélfia, Ponto Novo, Caldeirão Grande, Pindobaçu, Antônio Gonçalves e Campo Formoso)
Contatos:
 (71) 8753-8636 | reginocarvalho@hotmail.com
 (74) 9121-3671 | xanda_xanbinho@hotmail.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010









A IV Edição do Circuito das Artes acontece entre os dias 10 e 25 de julho. O evento conta com a exposição das obras de artistas renomados como Bel Borba, Cesar Romero e também de iniciantes como Clara Domingas, Fernando Lopes e Zé de Rocha . As mostras abrangem todas as modalidades – Pinturas, esculturas desenho, gravuras, cerâmica, fotografia – em pequenos formatos (30X30 cm).

O circuito das artes conta com o apoio da Galeria ACBEU , que deseja promover as artes visuais nos espaços de Salvador, tendo como objetivo fazer crescer e valorizar trabalhos de artistas locais no mercado baiano. A curadoria é de Rita Camara e a coordenação geral do circuito é feita por Eneida Sanches, que em entrevista para rádio educadora no programa, Multicultura, falou:

“A seleção não foi feita através do interesse de prêmios recebidos pelos artistas e sim por meio de inscrições feitas por qualquer artista”.

O circuito ficará aberto durante duas semanas em vários espaços culturais da cidade – Galeria ACBEU, Goethe-Institut (ICBA), Palácio da Aclamação, Palacete das Artes, SaladeArte do Museu Geológico, Sala de Arte do MAM, Aliança Francesa, MAB, Museu Carlos Costa Pinto e Escola de Belas Artes da UFBa. A abertura vai ocorrer em todos os espaços ao mesmo tempo a partir das 16h do sábado.

Para a transição entre os locais estará disponível um microônibus, que vai ficar durante 20 minutos em frente a cada Galeria ou Museu. A passagem não será cobrada, porém para conseguir circular no veículo é necessário que os passageiros apresentem o folheto das exposições.

Algumas obras de artistas que estarão no Circuito:






















                    Inha Bastos, que vai expor na Galeria ACBEU



                       Fim de Linha - Zé de Rocha

quarta-feira, 12 de maio de 2010

BRINCANDO DE POETIZAR



Discursos formados
Sentidos montados
Saberes amostrados
Dizeres forçados

Mentes ignorantes
Conceitos preconceituosos
Fatos oprimidos
Liberdade irresponsável

De tempo em tempo,
As caras mudam,
Mas os atos
Continuam Os mesmos

A palavra vazia, sem nexo,
Ruídos cansativos, chatos, falsos
Verdades perdidas,
Qualidades estragadas,
Quantidades desnecessárias.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Festival Arte Rua


  O Jornal Aurora da Rua fez  3 Anos  de existência em  24 de  março de 2010: 

O Jornal Aurora da Rua está completando três anos de existência este ano, é o primeiro Jornal de Rua do Nordeste,  lançado pela primeira vez em 24 de março de 2007. Para a comemoração de aniversário foi realizado na última terça-feira, 27 de abril o Festival Arte Rua. O evento teve inicio pela manhã com uma exposição sobre a Aurora da rua montada em cima de carrinhos de catadores de papelão, pela tarde a exposição seguiu com a concentração do trio elétrico, que foi até a Praça Castro Alves.
Desde a primeira publicação do periódico, que os moradores de rua contam com apoio de jornalistas, design e assessor de imprensa. O texto é produzido pelos próprios moradores, mas a editoração e diagramação são realizadas pelo monitoramente dos profissionais, a sede fica numa rua ao lado da Igreja da Trindade na Cidade Baixa.
Atualmente o grupo consta de 65 moradores, que participam de oficinas de textos e de outras atividades que ajudam no processo de construção do jornal oferecido por voluntários em praças pública ou largos. Os moradores comercializam o tablóide a preço de um real e ganham 75% da vendagem, os locais que eles costumam transitar para distribuir o produto são: Largo de Roma, Praça da Piedade e Mercado Modelo.
Esse projeto tem como objetivo fazer com que os moradores de rua não sejam enxergados de forma marginalizada, mostrar o lado humano e ajudar a desenvolver a capacidade de discernimento dessas pessoas que vivem em condições precárias. Segundo a jornalista Vanessa Ive: É o momento em que o povo de rua pode ser visto, respeitado, aplaudido e valorizado.
O festival foi desenvolvido a partir da idéia dos próprios moradores que opinaram pela realização da festa com palco nas ruas, cantores, dançarinos, poetas, pintores e animadores. Este aniversário eles optaram por trio elétrico para diferenciar dos outros anos.
A cenografia foi criada com o apoio de Aroldo Derais, cenógrafo e ator, Marcos Costa, estudante da escola de Belas Artes da Universidade Federal Da Bahia e Maurício Pedrosa, cenógrafo e professor da escola de teatro também da Ufba. Os cenógrafos realizaram oficinas curtas e contaram com a criatividade dos próprios moradores na realização do cenário  do festival. Em homenagem aos cinco moradores de rua que foram assassinados no bairro do Cabula e um no Campo Grande, foram colocadas cruz num dos carrinhos, sendo que uma especificamente foi de cor rosa , devido uma das vítimas ser um homossexual.

FOTOS DO EVENTO: 


                      
                                                                
Praça- Castro Alves

          O rasta de azul é Ronaldo, vendendor e morardor de rua

               Organizadores, voluntários e moradores
                                


                                 Marcos Costa - Artista Visual


 
                           Aroldo Derais - Cenógrafo


 
 Homenagem  aos moradores que foram assasinados no início de 2010

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Democracia: Leitura para todos

Rosa: homenagem ao gay e morador de rua morto no Campo Grande
 

domingo, 25 de abril de 2010

Os baianos vão ao teatro



O projeto “Domingo no TCA” é uma parceria do Teatro Castro Alves com a secretária de Cultura do Estado e a Fundação Cultural. Acontece aos domingos, sendo que em momentos e horários alternativos. O objetivo desse programa é promover a democracia cultural através de preços populares, por isso o ingresso custa apenas 1,00R. Dessa maneira facilita a ida do público ao teatro.
No dia 11/04/10, na sala principal, foi à vez da apresentação da comédia musical “Os cafajestes”. O espetáculo estava previsto para começar 11; 00h da manhã como de costume. Porém a peça foi tão cortejada, que foi preciso formar improvisadamente duas sessões do espetáculo, uma que aconteceu aproximadamente dez horas da manhã e outra ao meio dia.
A idéia dos organizadores do evento foi benéfica, mas ainda não deu para quem quis, pois realmente era muita gente ao ponto de formar uma fila gigantesca, que ia desde o teatro até virar a Rua do Garcia e finalizar nos fundos da escola Sacramentinas.
E ainda dizem que baiano não vai ao teatro? A fila não parava de crescer e as pessoas insistiam em contar com a sorte, pois de acordo com a lógica que estavam diante de nossas vistas, já dava para saber que não daria todos aqueles espectadores no teatro. E ainda assim, a fila crescia, crescia e crescia.
Para satisfazer todo aquele público era preciso mais de uma sessão, porém essa estatística não fazia parte dos planos do projeto "Domingo no TCA". Ao menos essa é uma percepção que foi extraída desse dia.
A única reclamação do público é a seguinte, estava chovendo e mesmo assim as pessoas esperaram para tentar garantir sua vaga, quando acabaram os ingressos para segunda sessão, o grupo que estava lááááááááááaááááaáááá no fundão não foi informado que a última sessão já tinha sido completada e não haveria outra. Então essas pessoas que ainda tinham esperança de que os cafajestes fossem apresentar uma terceira vez, não estava sabendo que já não tinha mais vaga e nem outra sessão para abrir.
Daí em diante começou os burburinhos, pois as pessoas acham que deve haver mais respeito com o público, pois para fazer a propaganda do teatro e falar sobre espetáculos em cartazes, passou uma mulher com o carrinho anunciando. E por que não fazer o mesmo pra anunciar aos espectadores que estavam de plantão aventurando na fila, que já havia esgotado de fato as sessões? Ou seja, é preciso uma organização estruturada para no caso de acontecer estes imprevistos, o teatro saber agradar a gregos e troianos, seja como estratégia administrativa e também como respeito à população que vai ao teatro para se divertir.
Demonstrar gestos dessa maneira é uma forma de respeitar e aplaudir o público que ficou até o último instante tentando assistir ao espetáculo.
Vamos lá, se liga galera!Que o povo soteropolitano também tem fome e sede de teatro. O lindo disso tudo é que isso mostra o quanto às pessoas estão procurando ir ao teatro e degustar da arte.
Enfim e viva a arena de Téspis e Viva o teatro.
Para o público que ficou até o fim, Aplausos!!!!!!!!!!!!




Foto: Internet


  Eis aí a imensa fila, daí em diante...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O mundo de Guga



Gustavo é um homem formado em comunicação e produções pela a universidade federal da Bahia. Adora fazer leituras sobre o tema Teoria da comunicação, recentemente leu novamente o Livro “teorias da comunicação” de Laswaell. Graduado há quatro anos, conseguiu o atual emprego através de estágio, por isso tem uma estabilidade financeira razoável. Desde lá sempre foi muito dedicado, interessado e com idéias muito criativas. Outro dia Gustavo precisou conversar com uma fonte no centro da cidade e deixou seu carro no campo grande. Quando voltou já era final de tarde, aquela brisa gostosa, crianças, algodão doce, carrinho de picolé, pipoca e pessoas fazendo atividade física. Gustavo sentou na pracinha do parquinho e próximo avistou um guri magrelo, cabeçudo, zoiudo, observando os adultos. Aquilo lhe chamou atenção , pois o garoto não estava n a mesma eletricidade como as outras crianças que gritavam, corriam, subiam e desciam.
E por um instante Guga, como era chamado pelos os íntimos, voltou para sua infância e lembrou-se das vezes que ficava como aquela criança e das várias fantasias que fazia, devido à comunicação não-verbal mal compreendida. “Todos os dias uma história e um mundo diferente, como o desenho animado “O fantástico mundo de Boby”.


Teve o episódio da mãe que já estava condenada a morte e em poucos dias iria morrer: Gustavo estava na sala brincando sozinho, como era filho único raramente brincava com outras crianças, ao menos quando fosse à escola. Então a tia Maria chegou para ir assistir um filme com sua mãe, ela parecia o peru que tinha no quintal da vovó com brincos, colares e casaco imenso, que mais parecia às penas do bicho. Então já foi entrando, apertando nas bochechas e bagunçando o cabelo do menino. Que por sinal, como toda criança odiava quando faziam isso com ele. Lá do inicio do corredor Gustavo ouviu a mãe Grita num tom triste:
-Bethe vem cá querida tenho poucos minutos e não dá para ir com você ao cinema.
Nesse momento Gustavo saiu da cabana que havia feito com as cadeiras e uma lençol na sala e imaginou a mãe nas últimas dizendo:
- meu filho como eu o amo! Seja um bom menino! Mamãe vai precisar parte dessa para melhor.
E o garoto começou a chorar pedindo à mãe que não fosse embora, como faria sozinho no mundo, quem faria o lanche da escola. Ele até prometeu não enrolar quando fosse para acordar, logo na primeira chamada, levantaria e em segundos já estaria pronto pra ir à escola. O pensamento melodramático era constante na vida de Guga. E chorou, chorou. Ops! A mãe estava na sala olhando e perguntando por que Gustavo chorava?
-Gustavo: A senhora já vai se encontrar com a Dona morte?
-Mãe: como?
-Meu filho, de onde você tirou essa história?
- Gustavo: Eu ouvi à senhora falar para tia Maria que tinha poucos minutos de vida.
- A mãe soltou uma gostosa gargalhada!
-E logo depois num tom sério explicou para o menino que ele havia entendido errado e precisava compreender a linguagem das pessoas com seu sentido real. Pois ele já estava na idade para perceber o mundo e saber dá nome às coisas certas. Ela teria poucos minutos para encontrar com a patroa e lhe apresentar um projeto muito importante.
Daquele dia em diante Gustavo continuou observando as pessoas, afinal isso fazia parte de sua personalidade, mas sempre estava estudando as formas como elas se articulavam; Ao falar, sentar, a expressão do rosto, das mãos, os significados dos sons. Tudo isso para não sofrer a toa e nem matar ninguém de uma hora pra outra. As perspectivas foram crescendo de acordo com seu desenvolvimento físico, mental. E assim Gustavo foi aprendendo a interpretar e comunicar-se com as pessoas de maneira fluente. Até o ponto de optar por cursar comunicação social na academia.
Gustavo voltou a si com uma bola que caiu na cabeça, ainda bem que era leve! Olhou novamente para o guri e esse já estava interagindo com as crianças. Aparentava um menino tímido, porém tranqüilo, enquanto o coleguinha corria, ele andava atrás para chegar até o escorrega e ria bastante com algo que o parceiro falava.
Gustavo levantou-se e seguiu em direção ao seu carro encerrando à tarde com aquela lembrança boa da infância.

Cinthia



Todo dia de manhã é a mesma rotina. Acorda e sai correndo para o banheiro, apertada pra fazer xixi. Imediatamente corre para debaixo do chuveiro e escova os dentes ali mesmo. Acabado o banho, procura o que irá usar no dia, isso já leva muitos minutos e se aborrece por ter perdido tanto tempo em uma simples muda de roupa. Por conta do atraso não toma seu café da manhã sossegada. É assim que Cinthia faz todos os dias antes de começar sua vida corriqueira. Trabalha numa instituição não governamental, cursa serviço social, desde criança sempre gostou de ajudar os meninos de rua. Muitas vezes guardou o lanche do recreio para após a aula dividir com os garotos que ficavam na porta de sua escola. Eles sempre diziam a mesma frase: obrigada tia, é pra completar minha merenda! Esse era o único momento que ela se irritava, pois não era tia de ninguém e gritava: tia é a mãe! E todos riam. E seguia faminta, quando apontava na esquina de sua casa era só se aproximar da porta que já sentia o cheirinho de bife assado. Em seus pensamentos, logo vinha aquele feijãozinho acompanhado. Sim! Feijão não podia faltar em sua refeição. A mãe logo de primeira falava: filha vai tomar banho! Banho? Como pode alguém chegar naquela situação e esconder de sua barriga faminta todo aquele banquete. E a briga começava. A mãe dizendo que fazia mal comer antes do banho, pois a menina podia morrer estuporada, devido à quentura no estômago. A filha, com os olhos penetrantes no feijão que borbulhava, retrucava que, mal fazia, era não devorar o almoço. No final das contas, Cinthia acabava comendo antes do banho. Hoje, depois de adulta, já não mora mais com a família, pois essa ficou em sua cidade natal, então por isso aprendeu a controlar a ansiedade. Toda vez que chega do trabalho, coloca a massa de macarrão instantâneo para cozinhar e tempera com alho e azeite. É até uma terapia e já está aprendendo a cozinhar alimentos mais nutritivos. Ainda não fica gostoso igual o feijão da mãe, mas dá pra comer. Outro banho e, imediatamente, caminha para a faculdade. Tudo isso é sem sofrimento. No final da tarde, as aulas acabam e vai para casa. Sobe correndo às escadarias que ficam próximas a rua onde mora. Já anoitecendo, o lugar fica obscuro e perigoso. Nesse vai e vem, Cinthia levava sua vida com as oscilações cotidiana, porém tranqüila e calma. Até chegar um dia que precisou mudar a rotina e o horário para faculdade. Ela quis pegar aula extra numa disciplina que há tempos já queria fazer. Por um lugar aparentemente tranqüilo ao som dos passarinhos e dos carros que passavam na pista a poucos metros, ela cantarolava imitando os bem-te-vis quando por um instante percebeu que ouvia sapateados e ruídos pelos os matos. Não ligou, afinal estava dentro do Campus da universidade. Que peninha! Seus pensamentos estavam errados. Num piscar de olhos, Cinthia se viu tentando empurrar alguém que a segurava com muita força pela a cintura até joga - lá no chão e cansar suas forças que iam sendo vencidas. E já não mais sabia definir quantas mãos a pegavam e rasgavam suas roupas, apertavam seus seios e gritavam: duas manguinhas rosa, grita lindinha! Batiam em sua cara, mordiam suas pernas, cuspiam em seu sexo e aquele pingue-pongue de muita angustia e gemidos. Os pensamentos já não racionalizavam para pedir socorro.
Logo após a exaustão de todos, Cinthia estava novamente sozinha com os sons dos passarinhos e dos carros na pista, dessa vez jogada no chão e cantarolando com seu choro agonizante.